quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O POTE DE OURO

Reservo um minuto. Não haverá os regozijos da vida premente nem tampouco as negruras do luto recente que me tire desta reta, desta meta a atingir, ainda que relutante, a alegoria do instante em que um sim seja apenas um sim.


Águas passadas, revoltas ou mal paradas são sempre água em sua mais pura essência. Sempre e em qualquer condição carregam consigo a consciência da força inexorável que as move, mesmo que o contrário se prove em tantos e tantos sofismas.


A força, como a das águas, é superior à das cismas, dos preconceitos, até mesmo dos direitos forjados e forçados por regras juridicamente justificáveis, embora deploráveis em seu cerne mais profundamente alcançado. A razão sempre estará ao lado de quem se julga minimamente razoável, minimamente explicável aos poucos que se rendem à sedução de argumentos lógicos.


Mas a presença dessa razão, dessa lógica, de qualquer argumento consistente, jamais será suficiente para empreender uma cruzada de redenção dos seres.


Portanto, vencem sempre os discursos mais sedutores, de maior retórica, por mais tola que seja, ante a fala serena e circunspecta dos verdadeiros doutores, dos efetivamente doutos.


Assim se fazem heróis, a partir de imbecís que carregam apenas a seu favor o poder da sedução barata. Porque é baixo, muito baixo o preço do apoio dado pela turba ignóbil e grata pela filigrana colorida que lhe foi ofertada qual fosse um tesouro, um pote cheio de ouro, daqueles que estão lá à disposição de quem lograr o encontro do ponto de chegada do arco íris.

2 comentários:

Larissa Marques disse...

Certo é que águas passadas não movem moinhos, mas deixam sempre um pouco de farinha entre suas pedras!
Tudo que escreve me toca profundamente, meu amigo!
beijo!

Andréa Iunes disse...

"Assim se fazem heróis, a partir de imbecís que carregam apenas a seu favor o poder da sedução barata. Porque é baixo, muito baixo o preço do apoio dado pela turba ignóbil e grata pela filigrana colorida que lhe foi ofertada qual fosse um tesouro, um pote cheio de ouro, daqueles que estão lá à disposição de quem lograr o encontro do ponto de chegada do arco íris."

tão certo!

Intensa leitura. Abraço.