segunda-feira, 26 de maio de 2008

Calar-me?

Calar-me sem que seja imperioso? Nem por nada me calaria, pois que sou zeloso com o que tentaria falar-te, dizer-te, afagar-te. Destarte, nem por nada me calaria, apenas buscaria o fim da calmaria, o renascer de qualquer brisa, qualquer vento e ficaria atento à tua mais sutil resposta, ainda que indisposta ou inoportuna. Minha ação seria a mera gatuna de teu sentimento mais profundo e, embora meio parvo não tenha eu condição de avaliá-lo, me conheces, sabes o tamanho e a força da minha prece de ateu e sabes que eu converso com arcanjos em seu próprio dialeto, sabes que falo com o próprio Jeová, um deus que não há, segundo o que ele mesmo me disse. Sabes que tenho os pés, como raízes, fincados na terra e a mente, esta divergente, voa distante, fala-te falácias faz-te refém de imagens inimagináveis, possíveis talvez, mas sempre as toscas imagens que, comportadas, esperam a vez.

Viu o que você me fez?

Um comentário:

Rosângela disse...

esse é um dos meus favoritos.

[i]Minha ação seria a mera gatuna de teu sentimento mais profundo e, embora meio parvo não tenha eu condição de avaliá-lo, me conheces, sabes o tamanho e a força da minha prece de ateu e sabes que eu converso com arcanjos em seu próprio dialeto[/i]